- Sargento do Exército suspeito de estuprar 9 mulheres é preso no Recife



Sargento do Exército suspeito de estuprar 9 mulheres é preso no Recife

Vítimas que foram à delegacia já o reconheceram, informa a polícia.
Inquérito aponta que uma das mulheres violentadas é sobrinha do militar.

Do G1 PE
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Delegacia da Várzea - Recife (Foto: Marjones Pinheiro / TV Globo)Equipe da Delegacia da Várzea conduziu a
investigação (Foto: Marjones Pinheiro / TV Globo)
Um sargento do Exército acusado de estuprar nove mulheres foi preso, no começo da tarde desta quinta-feira (09), no Recife. O homem tem 40 anos e é lotado no 10º Esquadrão de Cavalaria Mecanizada - inicialmente, a Polícia Civil informou que o militar integrava o 4º Batalhão de Polícia do Exército.
A investigação, conduzida pela delegacia da Várzea, começou há oito meses, quando os policiais apuravam casos de estupro ocorridos nos bairros de Roda de Fogo, Torrões, Cordeiro, Detran, Brasilit e Várzea. Os agentes chegaram ao sargento porque, dois meses atrás, ele esteve na delegacia para registrar uma queixa: uma sobrinha dele, ao devolver o carro que tinha pego emprestado do tio, foi surpreendida por dois homens, que a atacaram e a estupraram.
Ainda segundo a polícia, a sobrinha - uma jovem de 18 anos - só prestou queixa dois dias depois. No entanto, a foto do sargento chamou a atenção dos investigadores: era muito parecida com o retrato-falado feito a partir de informações de oito vítimas de estupro. De acordo com o que foi apurado no inquérito, a sobrinha foi uma das vítimas do sargento. O mandado de prisão preventiva foi expedido pela juíza Marylusia Pereira Feitosa Dias de Araújo, da 9ª Vara Criminal da Capital, no dia 27 de julho.
A ordem judicial foi cumprida nesta tarde, primeiro dia após o fim da greve dos policiais civis. Os agentes telefonaram para a casa do sargento, informando que haviam prendido um suspeito de estuprar a sobrinha e convidando-o a ir à delegacia. Quando chegou à unidade policial, o militar foi preso.
"Ele fez o que quis comigo. Eu até pensei em reagir, mas como ele estava com um revólver, não pude fazer nada. A minha sensação agora é de alívio", diz uma dona de casa de 24 anos que foi vítima do suspeito no ano passado - abordada no bairro da Várzea, foi levada para a Favela do Detran e violentada no local.
Outra vítima, que tem hoje 21 anos e, na época do crime, tinha 20, é uma estudante universitária. "Nunca imaginei que passaria por isso na vida. Meu pai sofreu muito e eu também, mas tento não deixar que isso interfira na minha vida. Não posso generalizar, nem todo mundo é igual e eu continuo confiando nas pessoas", afirma.
Nove inquéritos
São nove os inquéritos de estupro contra o sargento e todas as vítimas que foram à delegacia já o reconheceram. Os policiais informaram que estão aguardando a chegada do promotor de justiça para oficializar o reconhecimento já confirmado pelas mulheres.
O sargento vai ser indiciado por estupro, roubo, lesão corporal e tentativa de homicídio. A acusação de roubo se deve ao modo como ele abordava as vítimas: primeiro anunciava um assalto e, ameaçando as mulheres com uma faca ou revólver, levava as vítimas para o local onde cometia o crime sexual. Algumas das mulheres chegaram a reagir e ficaram feridas - o que justifica a acusação de lesão corporal; uma delas foi ferida mais gravemente e teve um dos pulmões perfurados, o que explica a acusação de tentativa de homicídio.
Após prestar depoimento e passar pelo reconhecimento das vítimas, o sargento vai ser encaminhado para o quartel, onde ficará à disposição da Justiça. Uma moto, roupas, facas e luvas que ele usava para praticar os crimes foram apreendidas.
Os policiais informaram, ainda, que o militar é reincidente: em 2006, quando era cabo, foi acusado de atentado violento ao pudor contra uma adolescente de 15 anos. Sobre esse caso, há inquéritos nas justiças comum e militar, mas os investigadores não souberam informar outros detalhes do crime.
Por telefone, a seção de comunicação social do Comando Militar do Nordeste informou que um inquérito militar já foi aberto para apurar a conduta do sargento e que, assim como a investigação civil, essa apuração corre em segredo. g1

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